Fernando Ramos
Ataque a la soberanía de España en Ceuta y Estado de Sitio
Na sua intervenção de balanço do ano político, realizada esta semana, o presidente Sánchez apelou mais uma vez a um grande acordo de Estado sobre o clima. Depois de atribuir a este fenómeno grande parte das calamidades ocorridas em Espanha nos últimos anos, desde inundações a ondas de calor e incêndios, o presidente insiste em chegar a acordos com as forças da oposição, muito provavelmente para tentar dividi-las, e fazer com que as suas contradições sobre este tema surgirem. Deixando de lado os efeitos que as alterações climáticas podem ter sobre a virulência dos incêndios — entre os quais se destaca o aumento da massa florestal, devido precisamente ao aumento do CO2 na atmosfera que contribui para a sua alimentação —, a verdade é que um apelo a tal pacto não faz muito sentido. As alterações climáticas são um fenómeno com múltiplas causas, entre as quais a ação humana, mas trata-se de um fenómeno global, pelo menos é assim que o definem os cientistas envolvidos. Por mais que o senhor Sánchez e o senhor Feijoo se reúnam e elaborem pactos ambiciosos, receio que o clima — que ainda não foi convocado por nenhuma das partes — não se sinta apelado e continue a exercer os seus desastrosos efeitos sobre o Reino de Espanha. O clima não parece compreender fronteiras, nem sabe da polarização política espanhola. A única cousa que poderiam acordar em relação à atmosfera são reduções nas emissões de gases com efeito de estufa no território espanhol, mas se estas medidas não forem seguidas no resto do mundo, de pouco valerão. Mesmo que a Espanha ficasse com emissões nulas, bastaria apenas o crescimento económico da China ou da Índia para contrariar esta redução nas emissões. De facto, a Espanha e a União Europeia reduziram as suas emissões nos últimos anos, mas as emissões totais a nível mundial não deixaram de crescer, apesar de todos os acordos assinados, batendo recordes todos os anos, exceto durante a pandemia.
A única cousa que os líderes políticos hispânicos poderiam acordar são medidas para tentar, por um lado, antecipar os danos causados pelo clima e, por outro, disponibilizar meios adequados, caso seja possível, para os enfrentar quando estes se concretizarem num evento catastrófico. Seria muito mais sensato um acordo sobre prevenção, que limpasse as florestas de vegetação arbórea ou arbustiva para reduzir o impacto dos incêndios, ou que disponibilizasse infraestruturas adequadas para a canalização da água em caso de chuvas catastróficas.Mas o que é mais sensato é quase sempre muito difícil de concretizar politicamente, pois obriga a debater visões sobre a gestão da natureza que são, em grande medida, incompatíveis; daí que o mais provável seja que, no mês de outubro, uma vez esquecidos os incêndios, acabe por não se fazer nada, até que uma DANA ou novas ondas de incêndios voltem a colocar o tema na agenda.
O governo e os seus parceiros defendem uma gestão ambiental ecologista, que inclui, para dar apenas um exemplo entre muitos, a proteção do lobo, o que, por sua vez, dificulta a gadaria extensiva, que poderia ajudar a mitigar o problema. As posições de conservação extrema das florestas e dos aquíferos, partilhadas também por setores do Partido Popular, colidem fortemente com as posições do VOX, que defende outras formas de gerir a natureza; mas, dada a força que este partido está a adquirir, é muito provável que a direção do Partido Popular acabe por se inclinar para estas teses, o que tornará praticamente impossível um acordo sobre estas matérias. Consequentemente, nada será feito ou, pior ainda, continuará a fazer-se o mesmo que até agora. E no próximo ano, receio que seja necessário escrever um artigo semelhante a este.
Contenido patrocinado
También te puede interesar