José Teo Andrés
Marruecos, cada vez más cerca
A ameaça de sanções impostas pelo Presidente Trump aos países ou empresas que negoceiam com a República Islâmica do Irão, as sucessivas vagas de embargos comerciais e financeiros contra a Rússia resultado da invasão da Ucrânia, e as propostas que ouvi recentemente para punir comercialmente o Reino de Marrocos pela sua postura hostil em relação a Espanha — concretamente, o fluxo de migrantes para Ceuta no mês passado, que parece ter sido tolerado pelo governo marroquino — reacenderam o conceito de guerra económica no âmbito das relações internacionais. Este tipo de guerra evita o confronto militar aberto, mas busca demonstrar discordância ou hostilidade com as políticas adoptadas por outro Estado. Envolve principalmente a tentativa de restringir o comércio externo ou os fluxos financeiros originários ou destinados ao país alvo, e por vezes inclui sanções contra países terceiros que tentam contornar o embargo.
O problema é que estas medidas raramente são bem sucedidas e representam mais uma demonstração de hostilidade e espírito de confronto do que uma ameaça real à economia do outro país. Na verdade, são muitas vezes contraproducentes para a economia do país que as impõe, que acaba por ser seriamente prejudicada. As sanções contra o Irão, por exemplo, por mais severas que possam parecer — e, considerando a retórica de Trump, as mais severas da história —, pouco danho podem causar à República Islâmica, dado que já está sob sanções desde 1979, ano em que começou o seu confronto com os Estados Unidos, e desde então desenvolveu um sofisticado sistema financeiro e comercial para as contornar. Além disso, o regime iraniano tem-se esforçado por envolver os grandes bancos comerciais chineses no seu comércio, especialmente os relacionados com o petróleo, bancos que seriam afectados caso o regime de sanções tivesse impacto em todo o seu comércio externo. Esta é uma questão muito séria e afectaria severamente o comércio americano com a China, razão pela qual se fala em algumas excepções ao regime de sanções. Mas, se estas sanções fossem implementadas, seriam inúteis, pois o comércio seria simplesmente canalizado através destas entidades, tornando-as ineficazes. É exactamente isso que a Rússia está a fazer com alguns países do antigo bloco soviético. As empresas ocidentais vendem a empresas de fachada, sediadas num destes países, e estas empresas, por sua vez, vendem à Rússia. As transações são simplesmente mais caras porque exigem intermediários. Além disso, interromper o comércio com o Irão é extremamente difícil, dada a sua vasta área geográfica e as inúmeras fronteiras, algumas das quais com países que não têm tradição de cumprir tais acordos, especialmente quando a procura é de petróleo, um produto altamente cobiçado, do qual a China é um grande importador.
Ademais, as sanções nunca são uma medida uniforme, nem afetam a economia da potência que as impõe da mesma forma. Alguns consumidores e empresas experimentarão pequenos inconvenientes e adquirirão os seus produtos a um custo ligeiramente mais elevado, mas, para outros, as sanções podem significar a ruína total. Considere os importadores de produtos específicos ou as empresas cuja produção depende fortemente de um ingrediente fabricado ou extraído nesse país. Para eles, não será apenas um inconveniente, mas uma forma de ter de abandonar os seus negócios. Eles irão pressionar políticamente ao seu governo para obter acesso a estes produtos, ou tentarão comprá-los no mercado negro, contornando assim o bloqueio.
O recurso à guerra económica revela o desespero do governo americano, incapaz de pôr fim a este conflito de forma eficaz e procurando uma saída honrosa. Seria melhor procurarem algum tipo de acordo, como aqueles que Trump procurou durante o seu bom primeiro mandato.
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