Extrema-direita em Alemanha

Publicado: 13 sep 2026 - 09:54
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A vitória esmagadora da AfD nas eleições estaduais da Saxónia-Anhalt, apesar de não ser o primeiro triunfo deste tipo de forças políticas, desencadeou um grande debate nos meios de comunicação social, devido principalmente ao facto de esta vitória ter ocorrido num land alemão e tambem às próprias características do partido. Já tinha conseguido tornar-se a segunda força a nível federal e as sondagens já o colocam em primeiro lugar numa hipotética eleição geral. Este é um dos partidos mais radicais dentro deste espectro político, tendo chegado a ser expulso do grupo parlamentar europeu ao qual pertence a força de Marine Le Pen, defendendo um ideário muito contundente sobre imigração e família, e apontado pelas forças de segurança como uma possível ameaça à Constituição. Explicar como um partido com estas características conseguiu este triunfo não é fácil, e ainda menos tendo em conta que não é um partido especialmente sofisticado a nível ideológico e que demonstra uma evidente falta de quadros políticos experientes. Além disso, enfrenta a oposição quase unânime dos meios de comunicação social e de praticamente todas as outras forças políticas, desde o centro-direita até à extrema-esquerda. Explicar isto apenas como uma moda ideológica que percorre grande parte do mundo ocidental, causada por uma imigração mal gerida, pelo estancamento do nível de vida ou pelos excessos das ideologias «woke», pode ajudar a compreender muito do que se passa, mas não tudo.

Os outros partidos são também, em grande medida, responsáveis, tanto pelas políticas que têm vindo a implementar nos últimos vinte anos como pela estratégia que têm seguido em relação a este tipo de forças. No que diz respeito às políticas levadas a cabo pelos partidos convencionais, pouco há a dizer que já não se saiba, uma vez que coincidem substancialmente no mesmo. A primeira é a defesa mais ou menos matizada dos valores do Estado social, com ligeiras diferenças que não afetam a essência do sistema, sem propor qualquer alternativa, mesmo estando conscientes de que se trata de um modelo muito difícil de sustentar ao longo do tempo e que é uma das causas da estagnação económica da Alemanha, em particular, e da Europa, em geral. A isto há que acrescentar o consenso destas forças relativamente à chamada transição ecológica, que conduziu a um aumento substancial dos custos energéticos. Especialmente visível na Alemanha, e que prejudicou indústrias inteiras, como a automóvel, incapazes de se adaptarem à concorrência de países como a China, que conceberam a sua indústria de forma muito mais competitiva. Por último, a má gestão, por parte destas forças, das novas realidades da imigração — partindo dos postulados do pós-modernismo — e o abandono dos valores familiares tradicionais fecharam o círculo do descontentamento. Em nenhum destes pontos existem diferenças substanciais entre as diversas forças tradicionais.

Estas forças também não se têm caracterizado pela sua capacidade de enfrentar os desafios das forças da nova direita. Estabeleceram cordões sanitários e formaram grandes coligações, algumas tão amplas que incluem, em algum estados, liberais, social-democratas, conservadores tradicionais e a extrema-esquerda, o que contribuiu para reforçar o que foi dito anteriormente: que todas estas forças acabam por ser, mais ou menos, a mesma coisa. A AfD configura-se assim como a única força real de oposição ao atual estado de coisas e, como é lógico, reúne todos os descontentes numa única força. Não é de admirar, portanto, que vença.

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